“Rosado Fernandes foi não só o mais proeminente Presidente da CAP, como foi o seu fundador, com um grupo de colegas e com José Manuel Casqueiro”

1. ROSADO FERNANDES. Não há como não iniciar este Editorial sem estas duas palavras. Rosado Fernandes foi não só o mais proeminente Presidente da CAP, como foi o seu fundador, com um grupo de colegas e com José Manuel Casqueiro. A sua clareza de espírito, a sua incontornável cultura, a sua frontalidade e sagacidade na forma como intervinha, ajudaram à elevação da CAP a um patamar de reconhecimento e conhecimento do sector agrícola e agrário de Portugal, que muito contribuiu para o regresso da agricultura ao lugar onde está e deve estar, à recuperação das terras pelos seus legítimos proprietários, e à defesa da actividade privada como motor da economia e do desenvolvimento do país. O seu desaparecimento enluta não só os agricultores portugueses, enluta Portugal… enluta a Europa. Obrigado, Prof. Rosado Fernandes.!

2. A PAC vai de novo ser sujeita a ajustamentos. No momento em que escrevo estas linhas são ainda parcas as notícias sobre essas mudanças. Sabemos já que se preveem cortes nos envelopes financeiros, mas o Comissário da Agricultura, Phil Hogan, referiu que Portugal não sofrerá cortes no 1º pilar, onde se encontram os pagamentos directos. Mas indicou que ocorrerão cortes no envelope do 2º pilar, onde estão as verbas do Desenvolvimento Rural, as Agroambientais, os apoios ao Investimento e à Floresta. Sendo em Portugal o 2º pilar tão significativo financeiramente como o 1º, um corte neste pilar teria consequências muito negativas para a agricultura nacional. Um alerta ao Governo e muito particularmente ao Ministro da Agricultura, que terá de aplicar toda a sua experiência, energia e capacidade negocial para dirimir esta enorme e inaceitável ameaça, porque é disso que se trata, de uma ameaça inadmissível.

3. Estamos em tempo de Feira Nacional da Agricultura e Feira do Ribatejo. Todos a Santarém, todos ao CNEMA entre 2 e 10 de Junho. Este ano o tema principal da feira é a Olivicultura e o Azeite, um dos sectores que mais se tem desenvolvido e afirmado no nosso país nos últimos anos, levando bem longe e alto o nome de Portugal e da excelência dos seus produtos alimentares. Numa época de constantes ataques à actividade agrícola, assentes numa confrangedora, enganosa e ignorante postura de uma sociedade demasiado vulnerável à demagogia e ao populismo, nada como ver e experimentar o que de melhor a agricultura nacional produz e exporta, contribuindo para o bem-estar dos portugueses e para a balança comercial, fruto do esforço, do empenho e do trabalho de milhares de homens e mulheres que de norte a sul, todos os dias, trabalham a terra. Visitar a FNA18, é um tributo, mas é também um reconhecimento, merecido e devido.


Eduardo Oliveira e Sousa

Presidente da CAP