A Confederação dos Agricultores de Portugal vê no primeiro-ministro e no ministro da Agricultura um duo que se «ausentou do mundo rural durante quatro anos», pelo que ontem pediu um cartão vermelho ao Governo nas legislativas, numa concentração que juntou cerca de 10 mil pessoas em Mirandela, provenientes de todas as zonas do País.
O presidente da CAP aproveitou a ocasião para reiterar que «em democracia o voto é uma arma». Centenas de tractores e uma dezena de milhares de agricultores deixaram claro que os agricultores estão a debater-se com dificuldades que provêm directamente da forma como o Governo de José Sócrates geriu o sector agrícola, nomeadamente o Proder, e que este não é uma visão da cúpula que representa os agricultores mas sim das bases. «Vamos mostrar em Setembro e em Outubro que queremos uma mudança.
Em democracia o voto é uma arma e essa arma está nas nossas mãos», exortou o presidente da CAP perante os milhares de agricultores que responderam à convocatória de Trás-os-Montes. João Machado encerrou uma série de intervenções com um apelo: «vão buscar aqueles que acham que não vale a pena, os que não são agricultores e dizer-lhes que o voto deles é importante».
A CAP, ressalvaria mais tarde o dirigente, não tem «nada contra o Partido Socialista, não tem nada a ver com partidarice, como acusou o ministro da Agricultura», mas a luta da confederação tem a ver com as políticas. «O que não agrada aos agricultores é a ausência de medidas. O Governo ausentou-se da política agrícola, do mundo rural. Durante quatro anos governou contra os agricultores», afirmou o presidente da CAP, para quem Jaime Silva é seguramente o pior ministro da Agricultura desde que o país aderiu à União Europeia.
«É sobretudo o ministro que tentou virar a população portuguesa contra os agricultores e é isso que os agricultores estão aqui a dizer, que não admitem a este ministro da Agricultura que vire os portugueses contra o mundo rural e contra a agricultura portuguesa», insistiu João Machado.
No entender do dirigente da CAP, Jaime Silva fez «tudo o que pôde para prejudicar a agricultura: tirou todos os apoios à agricultura nacional, as agro-ambientais, as medidas da electricidade verde, prejudicou os agricultores com impostos mais altos e, em simultâneo, devolveu todas as verbas da União Europeia que pôde e não investiu até agora um cêntimo na modernização da agricultura».
O presidente da CAP acrescentou ainda que «o diálogo com o executivo de Sócrates deixou de ser possível».
